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DEPRESSÃO: O EXCESSO DE REMÉDIOS PODE PIORAR

Enviado por kenia
03/06/02 - 11:17:58

Notícias em Geral "Alto consumo diário de tranqüilizantes e antidepressivos assusta os médicos"


O artista plástico Vítor Arruda toma um comprimido de Frontal todo dia - “senão, fico louco”, diz - e pede para amigos que lhe dêem de aniversário, em vez de presentes, receitas do medicamento de tarja negra (que pode causar dependência física). Vítor é um típico representante da nova geração da pílula.

A primeira adotou em massa o uso de anticoncepcionais nos anos 60 para fazer uma revolução sexual. A segunda vive com psicotrópicos na bolsa para enfrentar o mal-estar da civilização e já elevou o Brasil ao quinto país consumidor dessas drogas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Vítor Arruda explica que o psicotrópico é legal e não causa danos como o álcool:

- Já acordei muitas vezes arrependido do que fiz depois de ter tomado cinco doses de uísque, mas nunca me arrependi depois de tomar Frontal.

O consumo em massa de psicofármacos para dormir, emagrecer, trabalhar ou relaxar após uma festa movimenta por ano US$ 500 bilhões, segundo a OMS e assusta psicanalistas como Benílton Bezerra Júnior, do Instituto de Medicina Social da UERJ:

- As pessoas têm que ser belas e jovens, a competição, suportar tensões sem reagir, viver sem amparos trabalhistas que estão ruindo e com suportes familiares cada vez mais precários. Desse jeito, só à base de calmantes. É um traço social de desespero, que tende a se agravar - diz.

Para Benílton, as pessoas não alcançam esses parâmetros de sucesso e vivem uma sensação de impotência pessoal que torna a depressão uma doença endêmica no país. Para o psiquiatra Guilherme Toledo, do Hospital Miguel Couto, a situação é ainda mais grave:

- A depressão é uma epidemia mundial e a estimativa da OMS é que, em 2020, seja a principal causa de morte, superando a atual, por infarto - diz.

O estilista Marco Sabino chegou a criar um colar com uma réplica de uma caixa de Lexotan, seu aliado contra o mal-estar. Ele tomava Librium quando fazia vestibular para medicina; na faculdade tomava Somalium e, médico formado, adotou o Lexotan. Hoje, toda vez que acha que não vai aguentar o tranco, toma uma pílula.

O escritor Silviano Santiago diz sentir raiva de ter que tomar calmante:

- Eu tomo comprimidos com raiva porque acho que esses ansiolíticos afetam a memória. Para mim, cada comprimido consumido causa um buraco na memória - comenta Silviano.

Conheça a diferença entre tranqüilizantes e antidepressivos

TRANQÜILIZANTES: São drogas chamadas de ansiolíticos e indicadas para os transtornos de ansiedade generalizada (TAG), que podem se agravar e levar à angústia e impedem, por exemplo, que a pessoa durma normalmente, segundo o psiquiatra Guilherme Toledo. Os mais comuns são Lexotan, Olcadyl, Frontal, Lorax, Diasepan, Rivotril. São medicamentos perigosos que podem levar à dependência não só psíquica, mas também física, o que torna muito difícil a interrupção do uso continuado. A venda é controlada e a receita do médico que o receitou, com o nome do paciente, fica retida na farmácia.

ANTIDEPRESSIVOS: São os antidepressivos tradicionais, conhecidos como tricíclicos, entre eles o Triptanol, Anafranil e Tofranil. São vendidos com receita comum, mas produzem efeitos colaterais como tremores, taquicardias, secura da boca e tonteiras.

INIBIDORES: São os antidepressivos de última geração, conhecidos como inibidores seletivos da captação de serotonina pelo cérebro, entre eles o pioneiro Prozac, seguido de novas drogas como o Aropax, o Zoloft, o Efexon e o Remeron. São conhecidos como as novas drogas do bem-estar e têm a vantagem de não oferecer tantos efeitos colaterais quanto os tricíclicos. Não causam dependência física, apenas dependência psíquica. São vendidos nas farmácias com receituário comum.

 
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